A tradução de 'poética seca' é 'realidade'...
E você diria: 'mas poesia é amor!'
'Sim!' - continuaria eu, com um sorriso cheio de possibilidades - 'Mas amor não é tudo!'

'Realidade é amor com escolha... amor é base... escolha é sentido!'


Entre sem bater!

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Nós

Às vezes, um sonho é só um sonho.

Alguns amores nascem para serem platônicos.

Alguns deuses erguem-se para serem esquecidos.


Eu e você nascemos para o desencontro.

Nosso amor se tornou eterno na distância que nos separa.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ins#piração


"É sempre mais difícil ancorar um navio no espaço."
 Ana Cristina César


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Da Finitude da nossa pequena participação nesse pedacinho de tempo-espaço


Há uma sabedoria no movimento de sístole e diástole, como diz Cortella. Nosso coração, nosso pulmão, dizem até que o planeta pulsa. O Universo vem da retração. E logo mais, alguns bilhões de anos depois de você ler este texto, voltará a ser pequeno.

E não somos assim, grãos de areia aspirantes à estrela?

Encapsulados nessa carcaçazinha, vamos empurrando de dentro pra fora, massacrados de fora pra dentro, pressionados por nossos próprios EUs superiores, docentes da arte de ter, multiplicadores de células, contadores de cédulas, rompendo tendões para alcançar um espaço sob o céu azul, tamanha a ilusão de ótica.

E depois da lida árdua, gastamos ar, fôlego e piedade, discretamente chorosos pela má sorte de encolhermos, resmungando, até o reencontro com nossa única, assustadora e intransponível passagem, sistólicos.

Sêneca, sábio, dizia que se temos que chorar, que choremos antes, juntos. Não depois, por vaidade e culpa.

Atentem, assim, pra grande sacada: o amor.

Se tivermos que amar, amemos antes, juntos. O amor é a única cola, a única via de acesso. Ponte larga que atravessa, finda e recomeça.

No caminho solitário de volta pra casa, no enfrentamento de nossas próprias escolhas, o amor é o único farol e a única moeda.

A força está no amor. E no recomeço.
(Em memória de Marcelo Min, Silvana Abreu, Fernando Barros, Maria de Lourdes Clemente, Eduard Heinlik, Mari Bauer, Rosa da Silva Pereira, Eupídio...)


sábado, 6 de junho de 2015

EU NÃO




Empurro o tempo com a barriga. Aos quintos dos infernos os que sucumbem. Que se matem os caga-regras. Ecat!

Solenemente me desculpo e foda-se.

Se a dor de saber-me só é um tanto maior do que a dor de saber-me menos, então nem o chão, nem a chuva, nem o conto ou o palco darão conta dessa bananosa toda.

Sêneca dizia que o seu mundo era pão e circo, que as escolas estavam morrendo. Ele próprio morria. Inacreditável caralho.

Nada de aplausos ou vaias. Surras ou colos. Apenas uma lanterna desleixadamente esquecida no canto da sala vazia. Fácil e dolorosa. E eu me resguardando, um passo atrás.

Imbecis, imbecis! Por que eu me importo? Seria apenas um movimento contínuo, perpétuo. Mais um. Mas não me serve feito luva. Vou parar essa bosta, mijar na fogueira. Sem juros nem correções.

Maya, boca traiçoeira, minha mão direita é que te faz carinho. Sangue do meu sangue, verme do meu bucho. Sangue da nova aliança que faço. Sangra, porque agora sou surdo de ti. E acho graça da sua cara linda.

Ah, vozes do bem o do mal, evoé! Porque mesmo me fingindo de morto, vou rir de vossas dúvidas e celebrar tudo aquilo que está em movimento. Evoé filhos do Caos!!!


Eu? Eu quero acreditar. Porque lá no fundo, bem nos confins, eu acredito sim. Mesmo sabendo que não é verdade.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Chuva

Ventei, ventei...
Depois chovi mil canivetes.


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Haikai - sobre a limitação

Não consigo.
Há muito barulho.
Silenciar não é apenas uma questão de não querer ouvir.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Era uma vez uma árvore, a minha árvore linda



Desde pequeno eu via, do banco de trás do carro do meu pai, na entrada da minha cidade, uma árvore. Copa frondosa, centenária. Linda. Todo dia.

Desde sempre esteve alí. Ao menos pra mim.

Sempre que desenhava uma árvore, era nela que pensava. E, brincando com seus contornos, tentava criar os meus. Era minha árvore linda.

Se uma árvore era uma árvore, então era porque ela possuía alguma coisa daquela minha árvore linda. Talvez o verde profundo. Ou a copa vasta. Talvez só o nome, ou o modo com que as folhas balançavam, sei lá.

E com o lápis, daquele jeito que a criança aperta forte no papel, o tronco contava histórias.

Depois fui crescendo. Me tornando homem. E, destemido, mergulhava de cabeça em tudo. Sempre achava que daria pé. E quando não dava mais, pegava a estrada e passava perto da minha árvore. Árvore linda. E sempre, sempre ouvia dela que tudo ia dar certo, que as dores passavam, os trabalhos passavam, os momentos passavam. E o amor. Ah, esse ficava. Tudo que não dependia do outro, ficava. Ao menos era o que ela sempre me dizia quando não dava mais pé.

A minha árvore linda era a certeza de que tudo podia permanecer. Ah, que ideia linda, como a minha árvore.

E cresci mais, envelheci. E mesmo entrando na água com mais calma, sempre buscava a minha árvore. Passava por ela. Do banco do motorista do meu carro.

Acabei de entrar na minha cidade. Bem alí na entrada meu coração parou. Minha árvore linda não estava mais lá. Restaram apenas alguns pedaços no chão. Pedaços de mim.

O ar e a certeza de que tudo pode permanecer. Nada respira.

Minha árvore não está mais alí. Mas um moço bonito me disse pra eu olhar pra mim. Ela, a minha árvore, também está em mim. Até mesmo aquele meu galho que caiu com ela. Está em mim. Porque o amor, ah, o amor, não depende do outro.

E a beleza estava aí, todo o tempo. Aceitando a impermanência, permaneci.